Good Omens: Belas Maldições (Good Omens) | |
Ano: 2019 | Distribuição: Amazon Prime |
Estreia: 31 de Maio |
Direção: Douglas Mackinnon Roteiro: Neil Gaiman, Terry Pratchett (livro); Neil Gaiman (roteiro) |
Duração: 60 Minutos / episódio |
Elenco: David Tennant, Michael Sheen, Frances mcDormand, Sam Taylor Buck, Sian Brooke, Daniel Mays, Ollie (cachorro), Jon Hamm, Jack Whitehall, Michael McKean, Miranda Richardson |
Sinopse: “O fim do mundo está próximo e as pessoas se preparam para o juízo final. Mas o anjo Aziraphale e o demônio Crowley não estão nada animados com o final dos tempos. Agora, os dois se unem para tentar encontrar o anticristo e evitar que o apocalipse aconteça.”
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Good Omens: Belas Maldições é uma excelente adaptação de sua obra original
Série da Amazon Prime vale o investimento na assinatura da plataforma
por Alexandre Baptista
Uma das coisas mais legais do streaming é a produção de conteúdo original que cada plataforma fomenta. Nem sempre a produção é de fato original – às vezes as empresas pegam algo que já foi produzido e simplesmente carimbam seu nome em cima, ficando com a distribuição oficial pelo menos em parte do mundo.
Mesmo assim, a produção das plataformas de streaming, seja de filmes, seja de séries, vem preencher uma carência do público por material mais em sintonia com certos nichos – algo que o cinema, tentando sempre atingir a maior quantidade possível de pessoas – tenta não fazer.
É essa aposta com públicos específicos que permite erros e acertos, seja na Netflix, Amazon Prime e até mesmo HBO, em séries como a ressuscitada Arrested Development, Sense 8, Vynil, Westworld, Game of Thrones e agora, Good Omens.
Certos materiais são densos demais para um filme ou mesmo uma série de filmes. Apesar de terem conseguido um resultado bem-sucedido, franquias como O Senhor dos Anéis e Harry Potter poderiam ter sofrido do mesmo mal que sofreram A Bússola de Ouro (The Golden Compass, 2007) e A Torre Negra (The Dark Tower, 2017). E uma das grandes aplicações da produção original das plataformas de streaming é justamente nesse tipo de material.
Desventuras em Série (A Series of Unfortunate Events, 2017 – 2019), baseada nos livros de Lemony Snicket, é um bom exemplo: com três temporadas e 25 episódios no total, a série consegue narrar toda a aventura sem grandes perdas e mantendo o ritmo original dos livros.
Good Omens, baseada no livro de Terry Pratchett e Neil Gaiman, Belas Maldições, tem “apenas” seis episódios. Não vai ter segunda temporada. Toda a história do livro está condensada nas pouco menos de 6 horas de tela. E isso representa cerca de 3 vezes o que o “filme” teria no cinema, caso o projeto original tivesse ido em frente. Ainda que fizessem um filme em duas partes ou uma trilogia… não sei. Não me parece uma escolha adequada.
Sobre a série em si, tudo o que tenho a dizer aos fãs do livro: assistam. É uma excelente adaptação em que cenas perfeitas no livro não funcionam na tela; cenas razoáveis no livro ficam fantásticas na tela; e cenas que funcionam de maneira impecável em ambos os suportes, fazem o espectador vibrar. Vale a pena revisitar essa história em outra mídia.
Vale ainda mais a pena se considerarmos o elenco: Aziraphale (Michael Sheen) e Crowley (David Tennant) estão simplesmente impecáveis. Jack Whitehall, Michael McKean e Miranda Richardson compõem um outro núcleo impecável e hilário. Os fãs de Inside #9 devem ficar atentos às participações especiais de Reece Shearsmith e Steve Pemberton. Os fãs de Sherlock, às de Mark Gattis e Benedict Cumberbatch. E, claro, Frances McDormand como Deus é sensacional.
A trilha sonora é excelente, com a música tema sendo revisitada em diversos arranjos diferentes nos episódios. Destaque especial para a presença profusa de Queen – também em diversos arranjos entre os originais e outros inusitados. Embora já esperado por quem leu o livro (o carro de Crowley transforma qualquer fita cassete que fique lá por tempo suficiente em uma coletânea da banda), é uma satisfação extra poder curtir os episódios com uma trilha impecável. Repare que o timbre da guitarra de Brian May e linha melódica em dobra de terça foi reproduzido em diversos momentos da trilha, mesmo quando a música não é do Queen.
Os efeitos visuais estão ok. Não têm o mesmo nível que se esperaria de uma produção de cinema… mas convenhamos que funcionam na medida para não distrair o espectador do elemento principal da série (e do livro) que é a qualidade do texto, das piadas, das ironias e da profunda provocação que os autores fazem a quem ainda acredita no maniqueísmo de conceitos como o bem e o mal.
A direção de Douglas Mackinnon soube prezar perfeitamente pelo elemento principal da obra que é a amizade entre um anjo e um demônio, tão afeitos a seu tempo na Terra, entre os humanos, que aprenderam a relativizar os extremos de suas crenças em favor de uma convivência mutuamente sadia, tranquila e respeitosa. Algo (muito) em falta na sociedade humana atualmente.
Sob um verniz de comédia, aventura e estilo, Good Omens é o "bom presságio" que o mundo precisa com urgência.
Avaliação: Excelente!
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